O aumento da taxa básica de juros, a Selic, e a crescente inflação no Brasil têm empurrado investidores da Bolsa para o mercado de renda fixa. Considerando as últimas sinalizações do Banco Central, esse movimento está longe de ser passageiro e deve continuar com força no próximo ano.

Em sua última reunião, realizada no início do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou em 1,5 ponto percentual a Selic, a 9,25%, representando a sétima alta no ano.

Na ocasião, a autoridade monetária sinalizou que provavelmente repetirá a dose na próxima reunião do colegiado, em fevereiro, trabalhando para ancorar as expectativas de inflação em torno da meta, e já pensando, inclusive, em 2023. O BC considerou “apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista.”

Em ata publicada na última semana, o BC avaliou como adequado o ritmo de ajuste de 1,5 ponto percentual neste momento para atingir um patamar suficientemente contracionista e garantir a convergência da inflação “por todo o horizonte relevante”.

Com o juro mais alto, a renda fixa se consolida como uma opção mais atrativa – embora a recomendação dos especialistas ainda seja de manter parte da exposição à renda variável em 2022.

IPCA

André Albo, sócio-fundador da Alta Vista Investimentos, diz que, diante de um cenário fiscal e político “tão nebuloso” esperado para o próximo ano, vale a pena olhar para alternativas em renda fixa.

De acordo com Albo, dentro do cenário de inflação mais alta, é possível proteger o poder de compra investindo, por exemplo, em papéis com remuneração atrelada à inflação – IPCA +5% e IPCA +6%.

“Não é a minha projeção que a gente volte a praticar taxas como praticamos lá atrás, de 15%, 18%, 20%, mas, tendo uma inflação beirando os 10%, com uma taxa de juros de 11-12%, você tem um juro real de 2%. Se você optar por um papel que te paga IPCA +6%, você tem 6% ao ano de juro real. É bastante coisa”, comenta.

Prefixados

A curva de juros atualmente guarda oportunidades ao investidor (Imagem: Shutterstock)

Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, também indica investir em títulos indexados ao IPCA, mas defende uma carteira mais balanceada. Além do IPCA, ele recomenda separar parte do portfólio para prefixados. A vantagem da renda fixa prefixada é a previsibilidade, visto que ela é um título com juro definido no momento do investimento, fixo até o fim da aplicação.

“Tem que ter no portfólio uma parte prefixada, porque a inflação no ano que vem pode ficar ameaçadora, mas no outro pode se acomodar bastante”, explica o especialista.

O analista da Empiricus Matheus Spiess destaca que existem oportunidades na curva de juros, dada a sua inclinação, e recomenda um pouco de exposição ao prefixado no curto/médio prazo.

Para quem prefere olhar para a curva de juros mais longa, Spiess também vê como “uma classe vencedora”, embora espere que a tendência de crescimento se esfrie ao longo dos próximos anos.

“Em algum momento, o juro deve ter um arrefecimento. Vai ter volatilidade, mas deve se provar uma classe vencedora tanto para quem quer carregar um título mais curto, de 2024, como também para as pessoas que querem o carrego do juro mais longo – no meu entendimento, está mal precificado e deve ganhar na marcação do mercado até o fim do ano que vem”, afirma.

Segundo Spiess, é um bom momento para o investidor se apropriar de algumas oportunidades em renda fixa – do Tesouro Selic e do fundo DI taxa zero até o prefixado com prazo intermediário. O analista também acha interessante o título indexado IPCA+ 2026, com juro real de aproximadamente 5% ao ano.

“Qual país paga juro real de 5%? É difícil encontrar isso em um país como o Brasil, que é gigante”, afirma.

“Existem algumas coisas de que o investidor pode se apropriar nos próximos meses para entrar em 2022 preparado”, completa o analista.

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